sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Diagnosticado

Por que você escreve?
Não foi bem assim. Recebi o diagnóstico, e como não tenho seguro de vida, decidi escrever um bestseller. Para garantir o futuro dos meus filhos. A Editora _________ comprou os direitos por quase sete dígitos.
E por que você não começou a escrever antes?
Estava ocupado em viver.


:: 25.08.2017 ::

quarta-feira, 12 de abril de 2017

300.000 
pageviews no blog

Isso não
quer
dizer
nada

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Facebook, ferramenta de trabalho

Um amigo contou a história com a finalidade de escrevermos "no estilo MCP", mas é um cara abnegado: pediu para publicarmos e ficar anônimo. Por que será?

Em dezembro tive que contratar uma atendente temporária para a loja. Divulguei a vaga no Facebook, vieram algumas candidatas e, além das entrevistas, acabei adicionando os perfis das moças, pra ver se não ia pegar alguma degenerada ou mentirosa. Facebook é uma maravilha para essas coisas. Entre elas apareceu uma moreninha jambo gostosinha de tudo, 27 anos, rolou empatia e tal, mas não contratei por haver uma candidata mais experiente. Sim, sou profissional!

Até acompanhei umas postagens da moça no Facebook, mas a vida é corrida, acabei esquecendo. Acontece que ontem, quando eu estava indo para uma consulta, ela me mandou uma mensagem: "Vi que você está aqui perto”. Sim, o sinal locacional do Facebook é uma maravilha. Respondi, ela perguntou o que eu estava fazendo e me convidou pra ir na casa dela resolver um problema. Fui.

Abriu a porta de calcinha, entrei e passei a tarde lá. Perdi a consulta mas valeu a pena. Facebook é mesmo uma maravilha.

:: 26.01.2017 ::

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Curitiba
está
no cio

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Pequenas maldades cotidianas

Festinha do meu aniversário de oito anos. A criançada corria pelo apartamento simples e de cômodos grandes em que morávamos no Alto da Glória. Entre os convidados havia uma japonesinha com quem eu nem tinha proximidade, mas acabou indo por estudar na mesma escola e ser vizinha.

As crianças se empenhavam no ritual insano de correr, comer um doce, tomar refri e dá-lhe correr, que de tempo em tempo minha mãe interrompia para eu receber os parabéns de algum convidado e... o presente, claro! Uma tia trouxe uma caixinha que até me animou. Sacudi, um certo peso, desembrulhei e era um joguinho de... sabonetes especiais. A alegria da criançada. Saiba que isso era comum antigamente, tempos bicudos.

Disfarcei, sublimei, e estava voltando para a correria, mas tinha a japonesinha, meio gordinha, pragmática até os ossos, assim que eu coloquei os sabonetes entre os presentes ela parou do meu lado e disse “Com esse presente ela está dizendo que você fede, que precisa tomar banho”.

No momento aquilo só me causou um certo desconforto. Mas hoje, consciente, repensando o pequeno ato de maldade involuntária (ela só repetiu o que aprendeu), a conclusão é que a raça humana não passa de lixo empilhado.

Eu era moleque ainda quando tive uma experiência que me jogou na cara o quanto o ser humano é desprezível, e que não há salvação. Só correr desesperadamente como crianças em festas de aniversário.

:: 04.10.2016 ::

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Convergência: a única salvação dos perversos

Tomou o que era talvez a última dose do destilado de agave, se ajeitou na cama e ficou pensando nela, deitada a seu lado. Desejava a mulher, mas de um jeito diferente. A ereção lhe fez tremer o corpo, porém a combustão não era por estimular a lasciva num coito tradicional. Não era isso. O desejo primitivo era por se masturbar olhando para ela, mas de modo que toda atenção dela estivesse dedicada ao vai-vem frenético.
“Quem é o mestre?”
“Como assim?”, ela levantou a cabeça com olhos curiosos.
“Quem é o mestre, ele ou eu?”, apontando para ela sua virilidade inchada.
“Você. A atração é sempre pela cabeça de cima.”

Com receio de intenções divergentes, ele ameaçou se recolher. Mas como lhe tivesse lido o pensamento, ela se abriu em flor e começou o trabalho.
“Quero você fazendo que nem um macaquinho tarado.” E se fartaram um do outro.

Para alguns tipos de gente, essa não seria uma madrugada feliz.

:: 25.05.2016 :: o início, rabiscado num guardanapo numa viagem sabática reveladora em março/2011; concluído só agora

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Entre as diversas formas de tortura no trabalho, o amigo secreto

Odeio me integrar com o pessoal do escritório. É uma falsidade gritante, terra de canibalismo. Quando armam os happyhours arrumo um compromisso falso e fujo para casa, para aquilo que faço toda noite, o que, a propósito, não tem nada de especial.

Só que em 2014 não escapei do amigo secreto de fim de ano. A dona da empresa marcou um churrasco no começo de dezembro porque ela, como é minha rotina, tiraria férias a partir de meados de dezembro. Cada um com seus motivos.

Peguei a própria no sorteio. É o que me faltava: além de comprar presente para a secretária do financeiro, casadinha e minha amante depravada, eu teria de perder mais tempo e comprar algo para a chefe, mulher difícil e que tem tudo. Pior, entregar na frente de toda a equipe. Tentei até subornar o estagiário para trocar o amigo secreto, mas ele nem por dinheiro ele quis minha sina.

Passei horas no shopping para resolver a fórmula e acabei comprando dois jogos de lingerie sensuais, tamanhos bem diferentes, a propósito.

No dia do amigo secreto comecei a me embriagar em casa, vodca-da-manhã, a santa bebida que não deixa gosto. Na firma, quando me chamaram para o churrasco, eu dormia sobre a mesa.

Eu sentia náuseas enquanto assistia ao joguinho insuportável de adivinhações, e quando me chamaram ganhei um par de meias pretas. Não uso meia preta nem de terno. Vontade de por uma no pinto e estragar a festa me exibindo para a mulherada. Então foi minha vez. Claro que confundi os pacotes e dei a lingerie tamanho grande para a chefe. Quando ela abriu foi um escarcéu. Depois de muitas risadas do galinheiro corporativo, disfarcei e fiz que fui pegar o presente "de verdade". E não é que acertei o tamanho da calcinha? Já o sutiã ficou aparentemente apertado. Duro foi, depois, negociar com a cavala do financeiro a entrega do presente desembrulhado.

Pensar que ainda faltavam dezoito dias para a minha tradição natalina: vontade irrefreável de suicídio.



:: 25.11.2015 :: miniconto de natal

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Quando o dia das crianças não faz mais sentido

Depois de muito pelejar na clínica, acabei me estabelecendo como psicólogo de um colégio particular na capital. Uma escola notadamente da elite e que pagava muito bem. Nada do que eu presenciei desde os tempos de faculdade, desde as histórias cabeludas contadas pelos professores e por minha experiente terapeuta, nada me preparou para o que eu vou contar.

Eu já estava acostumado o lidar com essa gente. A maioria dos casos estava relacionada à fragilidade inerente à psiquê de quem tem tudo que quer. Algumas vezes, até, tinha que reequilibrar professores após enfrentarem a petulância dos alunos e a arrogância dos pais, felizmente exceções, mas bastante desagradáveis.

Então alguma coisa na “saúde mental” da escola saiu dos trilhos. Dava para perceber nos corredores e nos pequenos casos de histeria que eu tinha que administrar. O alarme soou mesmo quando uma aluna bastante amadurecida fisicamente pelos, vamos dizer, quinze anos, começou a se insinuar para mim. Justamente eu, que na época não costumava cuidar da aparência e menos ainda do guarda-roupas. Eu que fazia questão de passar despercebido em todas as ocasiões.

Comecei a investigar, conversar detidamente com cada aluno que entrava em minha sala. Busquei o significado por trás de cada palavra ou somatização. Estive mais presente nos corredores observando as manifestações e burburinhos. E, claro, entrei a fundo (sem trocadilho) no caso da aluna que me ofereceu quase que escancaradamente suas virtudes.

O que minha intuição já sugeria, a conversa com um garoto revoltado após uma briga confirmou. O pequeno Bruno se atracou com um atleta do time de judô, apanhou feio, e mesmo assim não se rendeu. Chegou a minha sala retraído. Transpirava revolta. Depois de rodeios profissionais, muita confiança conquistada, e antes de chamarmos os pais à escola, ouvi o pequeno confessar que o judoca se gabou de o pai ter transado com a garota que ele, Bruno, gostava.

Comecei a chamar aquele movimento de “Mandala de Electra”. Um grupo de doze a treze garotas que se desafiavam mutuamente a seduzir os pais umas das outras. Sobrou pra mim, inferi, porque o pai de uma delas morava em Londres.

Cumpri meu papel e denunciei o “joguinho” perigoso ao conselho da escola, que era a quem eu me reportava (sim, eu exercia uma espécie de auditoria moral em relação aos corpos discente, docente e ao diretor). Nas investigações e interrogatórios que se seguiram, descobriu-se que mais da metade das componentes da “mandala” logrou êxito no desafio.

É bom frisar que se trataram de investigações de caráter administrativo. O caso foi sumariamente abafado e a polícia não tomou conhecimento. Aliás, tomou, porque não aceitei e denunciei: delegado, ministério público, juiz e até jornalistas. Ninguém moveu um dedo.

Não sei que proporções, nos dias de hoje, na era da transparência, um escândalo deste tomaria. O fato é que perdi o emprego e, evidentemente, abri mão da paternidade.

:: 28.09.2015 ::

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Escândalo III

Primeira gestação da gatinha, noivinha, casamento marcado. Ia casar barriguda mesmo. Vestido caro, não pra esconder, mas para valorizar a silhueta. Toda romântica nos preparativos, toda maternal na barriguinha. Lua de mel dos sonhos. Semana seguinte, com seis meses de gestação, conheceu um carinha na internet e foi pro motel com ele. Deu até arder. O carinha, que tinha tara em grávida, curtiu, bebeu leitinho e fotografou. Nunca divulgou as fotos na web.

:: 05.01.2015 ::