segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Noivado

Eu só entrava na casa dele quando os pais saíam ou, furtivamente, de madrugada. Um dia colocaram um basta na situação: "Essa menina não pode ser direita!" Foi marcada a contraprova, o dia do holocausto, um almoço no sitio da família (leia mais)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

São pequenas as chances de se divertir comprando presentes de natal nesta época, mas vamos dar a dica

Você chega no shopping e os corredores estão abarrotados de pessoas carregando montoeiras de sacolas, esbarrando umas nas outras. Umas apressadas demais, outras se arrastando feito lesmas. Um verdadeiro caos, massacre para qualquer paciência.

Então você para (nova ortografia, vejam!) naquele quiosque da Brahma (não tem merchan aqui não) estrategicamente localizado perto da entrada e toma um chopp de 500 ml pra relaxar. E parte para a primeira compra.
Sacola na mão, você volta para o quisque e toma mais um chopp.

Entra na segunda loja e, com sua grande habilidade de negociador, consegue um enorme desconto na camisola sexy pretinha que comprou para a amiga secreta da empresa (ela pediu um cedê da banda Calypso).


Volta para o quiosque e toma mais um chopp de 500 para se preparar para o presente do afilhado, mas lembra que tem que voltar para a segunda loja buscar a sacola do primeiro presente que esqueceu lá. Aproveita para pedir o telefone da gostosa da vendedora de lingeries.

Volta para o quiosque para tomar outro chopinho de meio litro e buscar a sacola da camisola da amiga secreta que tinha esquecido lá. Junta todos os pensamentos cada um em sua casinha, pega as duas sacolas e vai comprar o brinquedo educativo do afilhado. No caminho paga um sapo com o papai noel que está irritado no meio da molecada, compra a última e violentíssima versão do GTA para o afilhado e volta para o quisque tomar mais um, porque ninguém é de ferro.

Esculhamba a moça do atendimento do quisque tentando negociar um chopp de graça. Na negativa convence a moça a guardar lá as sacolas e parte para comprar o presente da filhinha, que pediu algo como uma maquininha de fazer tatuagens (de mentirinha, claro!).

Na passagem fura a fila das crianças para que lhe tirem uma foto sentado no colo do papai noel, que não se esforça para mostrar que está contrariado. Ninguém se dignou a fazer a foto e, na iminência de os seguranças do chopp, digo, shopping chegarem, pula fora do colo do velhinho e corre para o banheiro.

Acredita que deu a mijada mais longa da vida. Volta para o coísque (sic), toma mais um chopp para reidratar, compra o livro "Vocação para esposa de cristo" de presente para a filha e vai para o estacionamento. Mas antes dá uma passadinha no quiosque e toma a saideira.

No estacionamento não consegue achar o carro. E com a lei seca vigente, melhor pegar um táxi. Ao chegar em casa lembra que gastou todo o dinheiro com os trocentos chopes e negocia a corrida pelo livro da filha. Lembra que esqueceu os outros presentes no "guarda-volumes" do quiosque da Brahma. Paga a corrida com cheque.

Ao pegar a chave de casa, percebe que esqueceu o livro no banco de trás do táxi. Entende, agora, porque não vou poder dar seu presente em tempo?

*** *** *** DIMPLE BELL'S *** *** DIMPLE BELL'S *** *** ***

Este é o nosso "cartão de natal". Boas festas e um tremendo 2009 a todas as leitoras (aos amigos leitores também), aos amigos e amigas, a todo mundo! Muita paz e amor.

Volte sempre nesta casinha vagabunda e sem presépio nem pinheirinho chamada Mini Contos Perversos!

Fonte da imagem:
www.dreamstime.com

domingo, 21 de dezembro de 2008

Convite


Vem trazer teu corpo para brincar com o meu.


:: MicroConto acidentalmente criado pela amiga Carla

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Aftas

Sra. Yfy é uma escritora aprisionada na vida convencional de esposa exemplar e mulher de família. Ela tem sede da vida mundana, de experimentar, mas não tem forças para se libertar das amarras que a sociedade impôs. Encontrou aqui no MCP uma válvula de escape para suas fantasias. Esta é uma das histórias nascidas na angústia da Sra. Yfy.
Joana saiu de casa para virar estrela. Fugiu da cidade com um caminhoneiro que a deixou numa cidadezinha qualquer.


Carne nova no pedaço, foi a estrela da boate da Dalvinha. Durante três anos só andou de táxi e salto alto. Consumiu sua beleza nas mãos de estivadores e caminhoneiros.

Cheia de doenças e vícios, passou a não ganhar nem para andar de ônibus. Realizou seu sonho de virar estrela quando apareceu João Cafetão, que lhe prometeu o céu da sua boca de fumo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tântrica

Ela me lambeu inteiro. Cada detalhe, cada pormenor, cada volume, cada fenda. Não ficou nada sem lamber. Me fez tremer todo, cada poro do meu corpo com a saliva dela. (leia mais)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O escriba

Coçou o pescoço com a caneta e sem querer riscou o rosto. Não se preocupou em apagar. Olhou na cama a mulher dormindo e saiu sorrateiramente.

Sentou no banco de praça e começou a anotar tudo que lhe vinha à mente. Quando estava na terceira página sentiu a presença de um intruso. Com uma lâmina em riste o homem, entre ofensas, exigiu-lhe a carteira e o celular.

E como ele se levantou de sopetão, o intruso avançou com o canivete.

Quase por reflexo se esquivou e estocou a garganta do agressor com a caneta. Se afastou caminhando calmamente, ouvindo um borbulho gutural na respiração do homem caído. Ia sentir falta da caneta.

:: 03.12.2008 ::

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O plastiquinho denunciador

O Zé estava casadinho, todo cerimonioso, mas não deixava de fazer as suas. Num fim de noitada encontrou a perdição, e moço responsável que era usou camisinha, a coisa certa a se fazer.

Chegou em casa, e pra não fazer barulho foi tirar a roupa no banheiro. Só que não tinha percebido que na hora da bagunça um pedacinho do envelope do preservativo ficou grudado na perna. E quando tirou a calça o plastiquinho caiu e ficou ali dando a maior bandeira do lado da privada.

Na manhã seguinte a mulher do Zé volta do banheiro chutando o coitado fora da cama, esfregando o tal plastiquinho na cara dele.

O fato é que uns dois meses antes ele já tinha passado por uma discussão embaraçosa quando ela achou um paninho semi-engomado embaixo do assento do sofá, aquele usado pelo Zé para limpeza depois das sessões de auto-satisfação. E não tendo muito do que acusar o coitado, a mulher encheu a paciência dele porque achava aquilo muito nojento.

Voltando ao plastiquinho, ainda se recuperando do susto, o Zé não teve dúvida: "Olha, depois da cena que você armou por causa do paninho passei a me masturbar com camisinha. É bem mais higiênico, não acha?"

:: 15.02.2008 ::

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Aprendizado de química e empreendedorismo pelo método empírico


Um dia o Zé ouviu falar de lança-perfume, que lá no passado era liberado usar no carnaval, que dava um barato engraçado. Só que não é fácil encontrar as bisnaguinhas do "Aromatizante de Ar Universitário".

Numa festa de garagem a turma deu de cara com um pessoalzinho circulando um tubo de desodorante e caindo pra tudo que era lado. Descobriram o tal loló (leia mais)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Theater home

Esse é o super conto do Victor, amigaço e figurinha carimbada aqui no MCP, que íamos publicar bem no dia em que apareceu na imprensa esta pérola. O Victor sempre se supera quando incorpora o Zé. O título, de nossa autoria, é um tremendo de um trocadalho-do-carilho.

O Zé tinha pegado a Princesinha da faculdade mas não pôde finalizar, ela explicou: "Estou naqueles dias". Voltou para a república a pé, fez amor gostoso, lavou a mão e foi dormir.

No dia seguinte foi o maior love no intervalo da aula. Ele virou celebridade, os amigos queriam saber detalhes como o modelo da calcinha e o design do "cabelo". O Zé só pensava em resolver a situação. A grana, pra variar, estava curta, e na república a macacada não daria sossego, seria queimada de filme na certa.

Lendo a Gazeta encontrada no lixo do vizinho veio uma solução: "Aluga-se ap central mob. só morar f. xxxx-xxxx".

Marcou de assistir um filme com a Princesinha no domingo de tarde, assim dava tempo de sarar da ressaca de sábado. Antes já tinha ligado para o telefone do anúncio, dito que estava interessado mas que estudava e trabalhava e precisaria passar uma tarde no imóvel antes de fechar contrato, e que isso só poderia ser no domingo. O arrendatário, comovido com o rapaz esforçado, passou o endereço e deixou a chave na portaria. Disse para ele se sentir em casa. Isso era mole para o Zé.

A Princesinha chegou de ônibus na canaleta do expresso próxima. Ela estava linda aquele dia. O Zé pediu a chave ao porteiro, que sonolento não comentou nada. No elevador nosso amigo chegou firme mesmo, pois tinham que entrar no apê em ponto de bala (vai que não tivesse DVD). E esse foi o começo de uma longa busca por apartamentos mobiliados em Curitiba.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Nexo dos anjos

- uma vez me fantasiei de anjo, com asa, auréola e bata de lençol. foi a maior quebradeira na festa a fantasia.
- asa daquelas com penas?
- não, asinha bem vagabunda de papelão, algodão e cola tenaz.
- (...)
- mas peraí, esse negócio de pena em asa não faz sentido. gente não tem pena.
- olha o trocadilho...
- sério! pena só dá em ave, e anjo é uma representação humana.
- sem falar que as asas deviam vir no lugar dos braços. ou uma coisa ou outra. as duas juntas fica meio caranguejo.
- asa de anjo devia ser de pele, como asa de morcego. aquela coisa lisa e meio tétrica - falou pensando naquelas representações de "anjos" do inferno.
- e podia ter umas asas peludas também, se o anjo fosse tipo toni ramos.
- credo! por isso eles colocam penas. esse negócio assexuado de anjo já é esquisito, imagina com asa peluda...
- agora me diz, o certo é caranguejo ou carangueijo?

:: 28.11.2008 ::

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Policial e juíza são presos após bebedeira

Tinha um continho de contribuição pronto para ser publicado, mas recebemos esta notícia um minuto antes. Se encaixa na categoria HISTÓRIAS DA VIDA REAL QUE SUPERAM A FICÇÃO. Assim não dá, é covardia. A gente se esforça, faz maratonas criativas para levar contos razoáveis para as leitoras... aí vem a jornalista Valéria Biembengu, do Paraná Online, e com muita sutileza retrata essa pérola. Prestem atenção na cena da velhinha, hilariante. Se a coisa continuar assim na imprensa, desistimos do blog.

A bebedeira de um policial federal (do Pará) e de uma juíza federal do Trabalho (do Mato Grosso) terminou no xadrez. Após se embriagarem em um bar do Batel, os dois resolveram terminar a noite em um Flat, no cruzamento da Rua Doutor Faivre e Nilo Cairo, no centro.

O simples fato de o porteiro pedir para o agente federal Cláudio Vinícius Nogueira de Oliveira, 32 anos, preenchesse uma ficha de entrada desencadeou a confusão. Irritado, o policial atirou duas vezes contra o porteiro e o segurança do hotel, mas não os feriu.

A Polícia Militar foi chamada e encaminhou Cláudio e a juíza federal Rafaela Pantorotto, do Mato Grosso, para o Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (Ciac), instalado no 1º Distrito Policial.

Ele foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio e encaminhado à Polícia Federal. Ela foi autuada por desacato a autoridade e liberada na manhã de ontem.

ESCÂNDALO - A juíza estava hospedada no flat e saiu para se divertir na noite de domingo. Por volta das 5h, retornou acompanhada de Cláudio. O casal quis subir para o quarto de Rafaela, mas foi advertido pelo porteiro, pois como ele não era hóspede, precisava preencher uma ficha.

Fora de si, Cláudio sacou a arma e apontou para a cabeça do porteiro. Assustado, o rapaz entregou a primeira chave que achou. Enquanto o casal subia para o quarto, ele acionou a Polícia Militar, que supôs se tratar roubo contra o hotel.

Assim que o agente da Polícia Federal chegou ao quarto, teve dificuldades para abrir a porta e chutou, arrebentando-a. Só que o quarto não era o da juíza, e sim de uma anciã (de 70 anos) que havia acabado de deixar o hospital e levou um grande susto.

O casal alcoolizado desceu e encontrou o porteiro e o segurança. A juíza começou a xingá-los e o agente sacou novamente a arma. O segurança do hotel tentou tomar a arma e o agente disparou dois tiros, que por pouco não acertaram os funcionários do hotel.

Policiais militares chegaram e efetuaram a prisão encaminhando a dupla ao distrito. Não contente, o casal deu um novo “show”. Ela agrediu verbalmente os policiais militares e os civis, salientando que era juíza. Mas não tinha documentos que comprovassem a função.

O agente quebrou a porta do xadrez com um chute, após ser preso. Depois do “barraco” foi confirmado que ela era juíza federal (passou em concurso em 2006) e foi chamada uma colega de serviço dela para acompanhar o flagrante.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Mutante

Vestido longo de cetim, comprimento exato, justo, um grande dragão vermelho tatuado nas costas. Entre o decote e os cabelos longos, entrevê-se a cabeça, olhos demoníacos e parte do pescoço da besta. (leia mais)

:: 01.04.2003 :: Publicado na revista de contos Bestiário

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Peluda

Na sua lógica peculiar o plano era infalível. Deixar tudo crescer como forma de espantar não só os pretendentes como também os próprios dedos (leia mais)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Se desse para comprar razão, eu pagaria para se livrarem da minha

Um dia, lá pelas dez da noite, saí do escritório e, ao deixar bater a porta, que tranca sozinha, dei conta que minha carteira e as chaves — do carro, de casa e daquela porta maldita — haviam ficado para dentro (leia +)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Surreal rabiscado no guardanapo

Pode ser nossa mente poluída, mas quando olhamos pra essa pequena obra de arte de autoria do amigo Rubinho, só uma coisa vem à cabeça.

Pedimos, então, para vocês olharem com carinho e manifestarem, ali nos comentários, o que enxergam nesse "abstrato".

Esgotadas as manifesrações, vamos revelar o que vemos e, o mais interessante, do que trata realmente a ilustração.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Upgrade do golpe da barriga

Não teve recurso na justiça que resolvesse o problema do cidadão. Beirando os sessenta, acolheu uma ex-funcionária de vinte-e-poucos que tinha acabado de dar à luz uma menininha linda. Terminado o resguardo, os dois sob o mesmo teto, óbvio que virou romance.

Sensibilizado com a situação, a pedido da namorada o babão registrou a nenê como filha, mesmo não sendo o pai biológico. O que o amor não faz, né? Só que logo após o reconhecimento, a moça ingênua rompeu o romance e ingressou com ação de alimentos contra ele.

Caso fosse comprovado se tratar de um "golpe da barriga" (falsa informação de paternidade por parte da mãe), a pensão seria anulada. Mas o cidadão assumiu espontaneamente a menina, o que basta para a justiça. O que interessa é a proteção da menor — que no caso, é a única inocente nessa história. Por enquanto.

:: 06.03.2008 :: baseado em notícia de jornal

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Onde estão os amigos?

Mais um conto do Victor Hugo, que dispensa apresentações. Sensacional. Ele é um dos leitores e amigos que mais incorporam o espírito do Zé.


Pra quem não sabe, o Zé adora um boteco, e pra acompanhar os amigos encarou um de bossa nova na sexta. Cerveja vai, cerveja vem, resolveu conversar com uma das florzinhas do lugar (não, ele não tinha tomado cogu). O Zé fez de tudo, todos os gêneros e personagens, até o truque de combinar os signos, afinal queria muito aqueles lábios (principalmente os pequenos). Como acontece no basquete, foi "toco". Lavou a alma com um martelo de pinga e voltou para a mesa dos amigos. Um minuto depois estava o amigo dele conversando com a gatinha. O assunto:
— Me fala uma merda que ele te disse?
— Achei ele um fofo.
— Pô, então por que não agarrou?
— Ahh, sei lá.
— Então vou chamar o cara.
— Não, não, é que...
— Fala, fala!
— Ele é muito doidão pra mim.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Frágil

Era delicada e bonita como uma flor. Não é lugar comum, só uma comparação perfeita. Pele branquinha, cabelos compridos e luminosos e um pescoço longo, desenho perfeito. E nosso amor, ah, quando a gente se amava era intenso demais, como se além de estar dentro dela eu precisasse me fundir ao seu corpo, ver o mundo pelos seus olhos. Eu abraçava como se aquele fosse meu último refúgio na Terra.

Mas ela era pequena e delicada, mulher feita, mas muito frágil. E eu, bruto, como você pode ver. Naquele dia havia um calor a mais entre a gente. Ela se aninhou em meus braços e me amou como nunca. Ela incitou meus sentimentos mais carnais, o guerreiro e o animal eclodiram com força total. Naquela fusão desesperada, em que meus braços quase a faziam desaparecer em mim, alguma coisa aconteceu. Ela ficou lânguida, pior, ficou inerte.

Delicadamente pousei-a ao meu lado, ela não respirava. Uma mancha escura tomava conta do seu pescoço, onde antes só havia o branco mais puro. Se eu a matei, foi por amar demais.

:: 24.04.2008 ::

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Fábula sem moral

toc-toc-toc
a mocinha romântica chega à porta e pergunta "quem é?"
"é o amor!"
entusiasmada pelo sentimento nobre, há tanto aguardado, ter finalmente dado as caras, ela abre a porta ansiosa (leia mais)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Organizadinho

A certeza vinha do sangue fritando cada vez que Salete descia e subia pela espinha de suas lembranças (leia mais)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Frases VI e VII

Tudo bem que não são contos, mas são contribuições de peso. E se você, leitora, se atentar aos detalhes, tem uma historinha bem azeitada (como as de nossa preferência) por trás de cada uma delas. Estávamos nos enrolando há tempos pra publicar, mas urgiu, porque nesses tempos de profusa difusão de idéias, daqui a pouco acabam aparecento por aí "apocrifadas" a/por alguém.

"Daqui a poucos anos, eu disse poucos, os asilos e casas de repouso em Curitiba vão ser insuficientes para abrigar a maioria dos amigos que não botam a cara pra fora nem pra tomar uma gelada."
Marco Rigo, amigo e guitarrista da nossa eterna banda germinal de blues e rock'n'roll (atualmente, SSR - Sociedade Secreta do Rock)

"Mudei minha senha para o nome de uma prima minha. Mas eu tenho umas vinte e cinco primas e agora não sei qual delas é."
De nosso amigo diácono, que vive dando contribuições pro MCP, em geral indiretamente, mas que prefere (por motivos óbvios) não ser identificado; um dia a gente entrega ele, um dia a gente entrega com link e tudo!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sono inquieto

Aconteceu como um sonho de tão gostoso e inesperado, quase uma alucinação. Quero que não termine nunca, mas vejo acabar como começou. E nenhum de nós dois desatinados está preparado para o depois que vem agora. No quarto estranho de paredes curiosas só resta o conforto da cumplicidade.

Mesmo entorpecidos pela libido saciada alguma coisa não nos deixa descansar. A cada cochilo interrompido, cruzo com aqueles olhos curiosos lindos. Cada pequeno som parece uma explosão. Fica difícil entender que a culpa é da química se as peles borbulham quando se tocam.

Se ambos fazemos questão de reconfortar, de gratidão por tanta delícia, qualquer pequeno movimento é como um pecado, cada vontade noturna, proibida. Então percebo que, instintivamente, nossas almas insistem em recomeçar, mesmo que os corpos estejam esgotados. Só me conformo depois de constatar que os melhores sonhos sempre recorrem, sempre imprevisíveis.

:: 25.03.2004 ::

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Whisky vagabundo nem club soda salva

O Zé voltou de São Paulo da casa do tio magnata com uma grande novidade: whisky com club soda. O néctar dos deuses. Dá o porre na medida certa, é saudável (hidrata) e por isso mesmo garante uma manhã isenta de ressaca.

A receita: 1) copo alto, de preferência fino, com gelo mineral até a boca; 2) despeje um bom scotch 6 anos (fazer com um de 12 é crime) até 1/3 do copo; 3) complete com club soda (atenção: não é água tônica nem água mineral com gás) e voilà!, é só beber e ficar feliz.

Agitou tudo (na base do rachid, claro!) para um esquenta com a moçada antes de uma noitada numa casa badalada do Batel. Comprou o six pack da club soda, o saco de gelo e, na hora de escolher o whisky, pensou "oras, o drink é tão perfeito que nem precisa ser importado", e pegou um "gold-sei-lá-o-quê" recém lançado, que tinha um tom avermelhado atraente.

Chegou no apê do Marinelson, onde o turma já esperava. Foi um sucesso. Só debandaram para a tal casa noturna quando a garrafa acabou. Entraram animadões, todo mundo novo em folha, nem parecia que tinham bebido. Na virada das primeiras cervejas a coisa bateu e tudo aconteceu em flashes. Na lembrança do Zé: dar em cima das moças bonitas, tirar a camisa no meio da pista de dança, ser "convidado a se retirar" da casa por importunar as moças bonitas e...

Manhã seguinte, dia de trabalhar, acordou com a boca seca como se tivesse comido areia, que parecia também lhe preencher os olhos, e a cabeça rebimbocando mil bumbões de fanfarra. Se arrastou até o banheiro e vomitou vermelho fluorescente. Três aspirinas e uma lata de coca não foram suficientes para dar partida. Ligou no trabalho e deu a desculpa "entrevado na cama com dor nas costas". Se existisse uma Anauísque a turma protocolava denúncia.

:: 17.09.2008 ::

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dialogozinho "semvergonho" que retrata como as pessoas ficam criativas quando não estão sob pressão

- Que nome você daria para um 69 de beijo grego?
- O que é beijo grego?
Esclarecimento dado, alguns segundos depois a resposta, escrita num guardanapo
- Tá aqui, ó!

6009

:: 03.10.2008 ::

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Diálogo sexual de um amável casal que se odeia

Pequeno conto, grande contribuição do Fernando Ramos, parceiro nosso n'O Coletivo (o currículo dele está lá) e autor do blog Coluna Fantasma. O Fernando é vascaíno (argh!) mas fora isso é gente boníssima. Valeu Fernando! E o bafafá aqui vai começar de novo. Querem apostar?

Sabe aquelas relações que ainda só existem por conta do sexo (porque é o único momento em que não falam sobre outro assunto), dos filhos ou da falta de alguém mais interessante surgir? Então.
- Às vezes sinto asco quando vem me beijar depois de transarmos, disse ela.
- Sério? Repulsa depois do sexo ou mal hálito mesmo? - indagou o rapaz.
- Os dois. Mas o mau-hálito - ela completa fazendo careta de nojo - tem a maior parcela da culpa.
- Ah... - ele responde reticente para depois de alguns segundos de silêncio, perguntar - É mesmo tão ruim assim?
- Acredite, é. Cheira a cocô. - ela retruca olhando bem para ele e balançando a cabeça positivamente.
- Ah, tá... - outra vez responde reticente. E completa com tom de ironia e escárnio na voz - Mas aí a culpa é sua. Ou você toma banho direito ou não me pede pra te dar beijo grego.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

No cinema não tem problema III

O Zé chegou para a turma agitando o anúncio de jornal recortado. Estava passando A colegial que levou pau no CIne Avenida, e era proibido só para menores de 14 anos. Na cabeça deles o filme era para ser o maior pornozão.

O Cine Avenida ficava na Boca Maldita, ponto máximo de afluência da famosíssima Rua das Flores em Curitiba, num prédio histórico. Local movimentadíssimo num sábado à tarde, e como naquela época eles não tinham adquirido o traquejo da cara-de-pau, foram morrendo de vergonha de serem "flagrados". Para piorar tinha a maior fila na entrada, formada em sua maioria por adolescentes espinhentos — impressionante como as notícias corriam no boca-a-boca aquela época!

Sentaram ansiosos esperando o começo. Para esculhambar o Zé caso tivesse que ir ao banheiro, o pessoal o isolou no meio da fileira. Pelo outro lado veio chegando outra turminha, e não é que uma bonitinha senta bem do lado dele? Foi aquela tensão.

O filme começou, a historinha era engraçada, e entre os rárárá e hehehe o Zé e a mocinha começaram a roçar braços e pernas, mão pra cá e pra lá, tudo muito de leve e acidentado (lembre, éramos grandes cabaços), mas nenhuma palavra ou beijo trocados até o final do filme.

Quando entraram os letreiros e o pessoal começou a levantar na maior decepção (estão até hoje esperando as cenas pornôs) o Zé, num ímpeto, pediu o telefone da bonitinha. Em meio aos "AAAAAAAA" dos amigos ela falou o número.

No dia seguinte, na hora de ligar (atenção, naquele tempo eram só telefones fixos) caiu a ficha de que faltou uma coisinha importante chamada NOME. Como iniciar a conversa sem saber se era ela ou não? Dizer algo do tipo "oi, era você que eu estava bolinando no cinema?" Foram umas dez tentativas dias a fio, com a indefectível desligada na cara atendesse quem atendesse. Um affair que começou e terminou no cinema.

:: 29.09.2008 ::

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fonte da juventude

Deu a fungada forte, limpou o nariz, virou para o Dórian e perguntou aonde ele tinha conseguido daquela qualidade. O Dórian não é bobo de entregar a fonte porque sabe que a Vandinha tem pata de elefante (onde pisa fode tudo).

Acabaram com a série e foram para o sinuca. Ela o deixou ganhar, pagou as bebidas, mas arrumou uma encrenca que acabou que o Dórian teve que descer o taco na cabeça de um valentão.

Vandinha deixou o Dórian em casa e pegou feliz a estrada, crente que tinha reexperimentado toda vida que proibiam a ela.

:: 17.09.2008 ::

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Ócio bom, pensamento ruim

Hoje passei o dia peladinha na cama, esfregando o pé no lençol, sentindo a textura. Com aquela preguiça de vadiagem e vontade de (leia mais)


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Sabonetinho

Como explicar de um jeito que não fique vulgar? Um dia escutei a palavra numa boate de baixa categoria e não tive coragem de passar por leigo e perguntar. Mas fiquei encucado e, como sou curioso e não sossego enquanto não resolvo a coisa, andei perguntando para todos os amigos.

Um conhecido que faz parte de um desses grupos de apoio ao pessoal marginalizado conhece bem o dialeto da rua e me explicou: "Sabonetinho, ou sabãozinho, é quando duas moças se encontram, entrelaçam as pernas até encostarem as perseguidas e ficam se mexendo até sair uma espuminha."

Daí eu perguntei pra ele:
"Tá, e o cara fica fazendo o quê nessa hora?"
"Que cara? A moça vai lá e paga para outra moça fazer sabonetinho com ela."
"Quer dizer que lésbica também vai em puteiro?"
"Claro!"

Foi aí que eu perdi mais um fiapo da minha inocência.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Blind (f)date

Hoje um conto da Louise (aproveitando que anda meio sumida, e pra ver se ela vem aqui brigar porque a gente publicou). É bem o estilo dela, crítico, auto-crítico. Uma delícia de ler. Inveja desse cara aí, viu? Se fosse o Zé não deixava a personagem escapar desse jeito. O título foi por nossa conta.
Ela foi, ligando o f u c k off. Queria conhecê-lo, mesmo com um pé atrás, e com tesão recolhido.


Chegando no boteco, final de tarde, ela não o reconheceria, mas ele a reconheceu. Talvez pelo cabelo loiro ou pelo andar um tanto inseguro...


Cerveja gelada, papo vai, e ela, no vapor do álcool, disse que nunca havia andado de moto; num passe de mágica surgiu um segundo capacete e a jaqueta de couro.

No abraço, ela quis passar a idéia de que estava com medo, só pra agarrá-lo mais. É, ele era bem gostoso de abraçar. Daqueles troncos fortes, na medida certa.

De volta ao boteco, ele quis continuar, mas ela amarelou — a tonta. Foi pro carro pensando em como, COMO iria se despedir dele. Nem precisou pensar, ele já beijou beijando. Daqueles beijos molhados na medida certa (de novo).

Se rolou algo a mais? Não. É.

Ela pensa "ainda não". Só em sonhos daqueles fluídicos.

domingo, 14 de setembro de 2008

O jovem proxeneta

Teve a idéia por causa do inevitável jeito volúvel da namoradinha. Sabia que no fundo ela não poderia ser só dele. E juntando essa leviandade com uma beleza física impressionante, convenceu-a a se oferecer como menina de programa com namorado supervisor nos chates-emessenes-orcutes da vida.

Incrível como ela vestiu bem o papel. E fez sucesso entre os casados solitários que caçam na internet durante as tardes. Mesmo um pouco contrariada foi às vias de fato com os programas, e mesmo enojada começou a gostar. E conforme combinado dividiu os proventos com o namorado corruptor.

Ia e voltava de ônibus (guardava o dinheiro do táxi), nunca se envolveu emocionalmente, rolavam uns quatro programas vespertinos por semana. Acabaram morando juntos. E a relação de pele se transformou em paixão. Como era de se esperar ele se arrependeu e mandou ela parar. Viveriam do que?

Ela fez de conta que parou e que tinha arrumado um emprego de vendedora da Forvm. Quando ele descobriu que os programas continuavam foi dominado por um ímpeto, resolveu tudo com um empurrão que a projetou do décimo primeiro andar. Antes que a história virasse manchete de jornal ele se mudou para o Amapá.

:: 14.09.2008 ::

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A natureza conspira a favor dos bravos

Tinha uma aranha marrom entre as teclas do meu micro. Dei os primeiros toques e notei aquelas pernas finas que não deviam estar ali. Não sei se ela estava viva quando comecei a digitar, mas meus dedos saíram intactos.

Mas não é só isso. Grande parte das vezes em que decido correr e o céu está daquele escuro que afugentaria 90% dos viventes (ou seja, só os anormais sairiam para a rua), grande parte das vezes a água só despenca depois que já voltei da corrida. Tá que minhas pernadas não são tão longas, mas uma coincidência não acontece atrás da outra assim.

Odeio aranhas marrons, velho Som. E não é justo que uma tenha se enfiado bem no meu filtro de tristezas (como disse o poeta). Ela teve o que merecia. Quanto a nós, bravos, a natureza demora para dar conta.

:: 10.09.2008 :: O original era pra ser dirigido ao velho Hem, mas a publicação aqui vai em homenagem ao primo que enfrenta uma das maiores batalhas que um homem pode enfrentar. Mas ele vai sair dessa. Ele é forte, e BRAVO

terça-feira, 9 de setembro de 2008

No cinema não tem problema II

Tem coisa que só é bom mesmo fazer quando é proibido. E realizações que podem parecer banais hoje, com quatorze anos na década de oitenta representavam epopéias. Vivíamos no rescaldo da ditadura militar e do conservadorismo em que o país havia sido impregnado, por isso entrar no cinema para ver filme pornô era a glória.

O negócio era arriscado porque ninguém era bobo (ou ético) de travar a molecada já na venda do bilhete. Você comprava e na hora de entrar é que pediam documento. E se barravam, ou o moleque era cara-de-pau para revender ou ficava no prejuízo. Mas quando alguém passava (com ou sem carteirinha falsificada) formava-se uma rede de comunicação boca-a-boca, e em questão de dias todo mundo sabia que naquele cinema estava liberado.

A primeira vez do Zé foi no cine do Shopping Pinhais — o primeiro da região de Curitiba, numa cidade vizinha, e que faliu poucos anos depois (o shopping e os cinemas). Alguém descobriu que à tarde exibiam lá uns filmes pornôs e o porteiro fazia vista grossa. Valia a viagem de ônibus para chegar, aquela adrenalina na entrada — as poses e roupas para "parecer" mais velho e "enganar" o porteiro eram um show à parte, incluindo bigodinho de penugem, camisa do pai e peito estufado. Mas dentro da sala tudo era deleite e aprendizado. Sim, a turma aprendeu as coisas da vida do jeito mais distorcido.

Então, a primeira vez do Zé foi com o filme Garganta profunda (já antigão na época). Seguiram-se inúmeras "obras-primas" e ciclos diversos de salas de exibição permissivas, até que a coisa ficou tão banal que o pessoal entrava sossegado nos cines pornôs do centro. E foi perdendo a graça ao mesmo tempo em que a turma descobriu um efeito colateral das salas (além das pulgas): os "senhores discretos" que as freqüentavam com a finalidade precípua de dar umas pegadas em expectadores incautos. Ninguém assumiu que um dia tenha sido abordado, mas por via das dúvidas, todos pararam com o hábito. Aliás, quase todos, mas isso é outra história.

:: 09.09.2008 ::

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

No cinema não tem problema I

Teve aquela fase em que o grande barato do Zé e da turma era ir ao cinema no domingo e depois na lanchonete comer x-salada, batata frita e banana-split. Isso começou lá pelos 13 anos e durou até a fase em que o pessoal começou a namorar e, como é natural, mudou para cinema em casalzinho em detrimento dos amigos.

E como aquilo que é ruim eles assimilavam rápido, aprenderam, observando os mais velhos, a "fazer zona" no cinema. Sempre davam um jeito de tumultuar a sessão. Um bom começo era, bem na hora em que o filme dá a primeira baixada depois da abertura, soltar um arrotão daqueles de 12 segundos que termina seco, que de tão forte chega a dar eco. Era preciso um bom timing para acertar, mas o cinema quase desmontava depois.

Mas isso era só o começo. Quando se especializaram no assunto, começaram a chegar ao cinema na primeira sessão, assistiam ao filme meio que prestando atenção, davam um jeito de ficar para a sessão seguinte e... cada cena importante do filme era precedida de um comentário em alto e bom som: "se eu fosse o Indiana Jones dava um tiro no cara do chicote" ou "ih, olha o monstro atrás dela".

Os risinhos das meninas eram gasolina para eles, mas a zona durava até o lanterninha expulsar a cambada toda, ou pelo menos os mais salientes. A turma nem se abalava, saía do cinema na maior alegria com a sensação de dever cumprido. Daí, logo depois, na lanchonete, começava tudo de novo.

:: 05.09.2008 ::

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Perfume de mimosa

Na selva, o leão mata os filhotes da leoa (com outro) para ela voltar a ficar no cio. Então ele dá umas com ela e, enquanto isso, toma a comida que ela caça. Tudo encarado com muita naturalidade. Daí um dia o cara seduz uma MULHER de dezesseis anos e todo mundo quer ver ele na forca.

Nosso amigo, que nutria um amor episcopal pelas mulheres, viu aquela "chica muy guapa", como gostava de dizer, numa visita ao sítio de uns amigos. A casa era grande, ele circulava por ali, deu com a moça simplezinha, vestido de chita, não teve dúvida em abordar. E como a química foi intensa, eles se resolveram rápido, num vestíbulo que tinha perto da cozinha da casa.

Dia seguinte acordou todo feliz, chegou no café da manhã fazendo graça: "Alguém tá usando perfume de mimosa hoje?" E gelou quando viu a mocinha sentada à mesa, com roupas de shopping. Muito rápido ele fez a conta e reconheceu a menina que a ele tinha sido apresentada quatro anos antes, filha dos donos da casa, na época pré-adolescente. Como cresceu!

Sentou à mesa bem quieto e comeu sem levantar os olhos. A "proibida" percebeu e passou o resto do dia achando aquilo muito engraçado. Ele acabou adiantando a volta à cidade por motivos profissionais.

:: 17.02.2004 ::

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Idéias perversas para desvirtualizar um namoro à distância

— Eu quero sua pele, sentir você de verdade, nem que seja de pouquinho. Cansei desse negócio de telefone-MSN-webcam.

— Já que não dá pra viajar mesmo, acabei de ter umas idéias interessantes.

— Ai, ai... Diz!

Se masturbe pensando em mim, ejacule numa foilha de papel, dobre, ponha num envelope plástico e me mande pelo correio.

— Tá, tenho uma melhor. Tire essa calcinha que você está usando agora, que deve estar toda molhada, coloque num envelope e mande para mim.

— Está ficando mais molhada ainda. Já pensou se o pessoal do correio abre a embalagem e vê um negócio desses?

— Que eu saiba não é proibido mandar essas coisas. Nem multa deve ter.

Tenho uma idéia melhor ainda. Compre uma estatuetinha de pedra ou madeira, não pode ser muito grande mas tem que ter aquele formato fálico. Goze em cima, coloque numa caixinha e mande para mim por sedex. Daí quando você receber a calcinha e eu a estátua nos encontramos no MSN, e cada um sabe o que fazer.

Quer saber? Tenho uma mais perversa. Eu faço numa camisinha, dou nozinho, mando para você.

Hum...

Mas aí eu vou querer ver você... ahn... degustar.

Huuuuuummmmmmmmmmm!

Mas você tem que jurar que não vai fazer macumba com o que sobrar, hein?

:: 11.08.2008 ::

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Não confunda onirismo com onanismo

Sob protesto, e aguardando as contribuições para a compilação de neologismos da blogosfera.
Alguém sabe dizer de que artista dos quadrinhos é essa ilustração? É do tempo da Penthouse Comix - óbvio que o balão é uma intervenção sarcástica nossa.
As divas dele sempre eram retratadas com essa roupa S&M super erotildes.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Hoje de manhã

Continho ultra-subjetivo e sensível da amiga Cristina Jones, editora da Revista InVerso. Ela escreve por música e com a alma dos cabelos ruivos. O que parece uma brisa é um turbilhão de emoções.

Um arrepio contumaz! Foi assim, que antes do meu cárcere assombrar acordei.
Cada milímetro da minha pele sentia o toque suave da seda como se fossem pequenos choques em corrente alternada. Suspiro...
A mão percorria o corpo em busca de prazer e, em chamas, me despetalava.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O dia em que banquei o avestruz

Ontem eu comi caco de vidro. O prato estourou com a comida no microondas e como não tinha mais nada na geladeira (despensa? o que é isso?), e eu alucinado de fome, separei os cacos da comida como deu. Depois, cada garfada foi incansavelmente mastigada à caça dos caquinhos menores, justamente os mais afiados. Alguns consegui filtrar nos dentes e na língua, saiu um pouco de sangue, senti o gosto na comida. Proteína que sai, proteína que entra.

Eu já tinha parado com o aguardente mas tive que tomar mais por causa da dor. Não parava de pensar naquelas pessoas que engolem pregos, alfinetes e bolas de gude. Concluí que meu caso não era tão grave.

Em algumas engolidas senti descerem alguns poucos cacos fujões que me rasparam a garganta. Quando acabei tinha um punhado de cacos avermelhados apartados e azia acima do normal, o que é grande coisa já que vivo com a maldição do estômago temperamental.

:: 05.06.2008 ::

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

30 anos

Não sou alienada, isso eu sei, mas não estou gostando dessa história de ficar velha tão cedo, de entregar os pontos para a monotonia (leia mais)


terça-feira, 19 de agosto de 2008

A moça que chupou lingüiça na festinha de formatura

A rapaziada da turma de faculdade do primo do Zé teve a idéia genial de fazer a festa de formatura numa casa de tolerância. (leia mais)


domingo, 17 de agosto de 2008

A longa jornada (de aprendizado) para o Rock In Rio - parte 3

Então juntei o suado e merecido dinheirinho de um mês de trabalho no mercado do padrinho, mochila, saco de dormir e principalmente os ingressos, e descambei com a cambada para o Rio de Janeiro para ficar na casa da tia (e primas) de um amigo. A recepção foi maravilhosa — tínhamos que nos esforçar pra não confundir a hospitalidade marcante das cariocas com a poluição lasciva de nossa mente adolescente.

Os ingressos eram para seis dos dez dias de show. O lance era chegar lá no meio da tarde, assistir a xaropada dos shows nacionais e, depois que escurecia, despirocar vendo os ídolos que, naquela época, mal na tv tínhamos visto.

O primeiro grande acontecimento dessa maratona de shows foi a chuva. Desde o primeiro dia que fomos à "cidade do rock" choveu muito e tinha barro em tudo que é canto. Os banheiros eram grandes piscinas de lama, urina e sabe-se-lá-mais-o-quê, com dez centímetros de profundidade. Não vou comentar como era o processo de lavagem/secagem das roupas e tênis, pois a lembrança é doída.

Nossa turminha era inocente (nada de cinismo aqui). Enquanto saracoteávamos turbinados por litros de pepsi, os caras ao lado acendiam uns baseadões que pareciam charuto cubano. Fora o que a gente via e não entendia.

Daí a leitora (mais uma vez) pergunta "onde está a perversão ou sexo?" Neste caso, por uma dessas ciladas da natureza humana, não precisava. Nada tirava o brilho dos nossos olhos ao ver de perto AC/DC, Ozzy, Whitesnake, Queen etc. Claro que a gente esperava ver uns peitinhos de fora como em Woodstock, devem até ter aparecido, mas não demos sorte. O máximo de nudez que vimos foi o striptease que o Angus Young (guitarrista performático do AC/DC) fez na Bad Boy Boogie, em que no final ele mostra a bundinha branca e sem graça. Mas isso ficava além do erotismo. Era gasolina derramada em nossa loucura por ver o circo pegar fogo.

:: 11.08.2008 ::

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A longa jornada (de aprendizado) para o Rock In Rio - parte 2

Quem conhece mercado do interior sabe a bagunça que é. Pilhas de caixas de entrega abarrotadas com compras do mês pra todo lado, a molecada ranhenta zanzando com tubinhos de suco de plástico que imitam carros, na porta uma máquina de sorvete italiano (aquela espuminha gelada meio sem gosto), tudo uma delícia. E eu angariando fundos para a viagem ao Rock In Rio.

Alguns dos momentos mais divertidos que eu tive era quando meu tio Gatão (o caçula do padrinho) me levava junto para fazer entrega das compras nos sítios de kombi. De tempo em tempo parávamos em algum boteco para "calibrar" (na época eu ficava ainda no guaraná) e, na volta, a kombi vinha carregada de manga, jaca, limão galego, carambola etc. que ele ganhava pra distribuir para a familiagem.

Antes de chegar ao mercado o Gatão dava uma parada na zona para conferir o material. As moças se divertiam comigo porque me achavam inocente, isso porque não liam meus pensamentos quando me davam umas pegadas pra provocar: "Olha que lindão!"

Quando acabava o expediente estafante de fazer pacotes e carregar caixas, às vezes o primo Juninho (do outro lado da família) me levava para ver umas pernocas na cidade. Teve um dia em que ele parou num posto de gasolina, foi direto num freezer horizontal e tirou uma cerveja peluda. Pra quem não sabe, é quando a garrafa fica branca de gelo ao redor. "Hoje você aprende a tomar cerveja", provocou.

Não precisa ser muito entendido para saber que uma garrafa naquele estado congela ao abrir. Mas o Juninho tinha um truque de punhetar o gargalo para tirar o gelo e cuidadosamente virar a garrafa de cabeça pra baixo antes de abrir. E só segurar a garrafa pelo gargalo (nunca pelo corpo) ao servir. Eu nunca tinha gostado da bebida amarga, mas a visão daquele copo amarelo brilhante e a sensação do líquido gelado descendo pela garganta (Lins é uma cidade muito quente e abafada) mudaram alguma coisa dentro de mim para sempre.

:: 06.08.2008 ::

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A longa jornada (de aprendizado) para o Rock In Rio

Beirando os quinze anos fui seduzido pela promessa de woodstock pós-moderno do Rock In Rio. A família sabia que não adiantava proibir, então o jeito foi dizer que não havia fundos para patrocinar. Apelei para o padrinho lá no interior de São Paulo, que sintonizado com o processo de construção de caráter em andamento lá em casa (sinceramente, não surtiu efeito) propôs que eu trabalhasse no mercado que ele gerenciava.

Mal acabaram as aulas peguei o ônibus Curitiba - Marília com baldeamento Marília - Lins num catajeca daqueles com sacos de hortifrutigranjeiros e galinha viva dentro. Fiquei instalado no conforto da casa do padrinho, mas trabalhando todo dia das nove às seis fazendo de tudo um pouco, principalmente de pacoteiro na frente do caixa, bem naquela época boa que antecede o natal.

A diversão dos colegas era provocar o "bicho de goiaba" (eu era branquela e comprido) a executar tarefas menos básicas, como erguer saco de 30 kg de café. Existe um jeito pra que seja fácil (ou possível), mas eles só ensinavam depois de rir bastante das minhas trapalhadas. Esses momentos foram grandes motivadores dos anos de estudo sério que se seguiram.

Como era passatempo pra mim, eu geralmente ficava por ali todo solícito. Uma senhora bem velhinha e caipira me chamou e disse "Filho, ocê pode me dar uma fuinha?" Eu não entendi e ela repetiu: "Pode me dar uma fuinha?"

Enquanto eu continuava tentando associar que produto remetia àquele mamífero de pequeno porte de cara pontiaguda, um dos colegas mais experientes suspirou fundo, deu uma corridinha, pegou alguma coisa e jogou sobre o balcão. Era um calendário. A velhinha agradeceu com um sorriso sincero e banguela. Eu demorei uns cinco minutos para entender e quase me mijei de rir quando caiu a ficha.

:: 06.08.2008 ::

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Maldição de uma linhagem

Era quase meio-dia quando percebi o sol de Fátima queimando o rosto das pessoas. Mais uma vez questionei se aquela peregrinação teria o poder de anular minha maldição de família. Até onde sei, avô, pai, primos, muitos dessa vertente genealógica conviveram com o mesmo fardo (leia +)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A morte do blogueiro

Alguém que conhecesse o blog — ou olhasse com um pouco mais de atenção — perceberia naquele último post uma mensagem sombria. Era um blogueiro de relativo sucesso, bastante visitado pela peculiaridade e energia dos escritos, que despertavam nos leitores a iniciativa de comentar. O interessante é que se tratava de um incógnito, não mostrava o rosto e mal se percebia de onde escrevia. Ele (ou ela) instilava o talento escondido por um pseudônimo.

Tudo começou com uma silenciosa liberação da moderação de comentários. Parecia parte de um plano. Depois de mais de dois anos publicando diariamente, o blog foi abandonado. O blogueiro simplesmente parou de escrever e de responder comentários. Restou todo conteúdo, que podia ser classificado como genial e atemporal, coroado pela tal mensagem premonitória. E como era um fantasma virtual, não havia jeito de obter notícias concretas sobre ele.

Depois de uma semana começou um verdadeiro movimento nas páginas de comentários. Uma peregrinação de blogueiros com a mesma indagação: Será que havia morrido? suicídio? acidente? — os posts transpareciam a mania pelas duas rodas, velocidade, bebida e adrenalina. Assassinato? — por um marido traído (de novo a adrenalina) ou algum leitor-perseguidor (como tantos que ameaçavam nos comentários)? Ou será que simplesmente havia resolvido largar tudo por um motivo particular?

E como na blogosfera há muitos jornalistas, o mistério chegou à mídia de massa. E aí o blog abandonado explodiu em audiência. Passou de cult para mania. Até uma investigação policial foi iniciada, mas nem o provedor que hospedava pôde ajudar.

Chegou ao ponto de um hacker postar alguns textos como se fosse o autor, mas era fácil perceber a diferença de estilo. O dublê foi preso por falsidade ideológica e investigado por uma possível conspiração para assassinato.

Uma grande editora ofereceu uma quantia indecente na tentativa de resgatar o verdadeiro autor e editar uma obra de sucesso garantido. Ninguém apareceu, e aí cogitou-se a possibilidade de ser algum escritor famoso criando livre de amarras protegido pelo anonimato.

Aos poucos o delírio popular saturou e o blog passou ao seu lugar de direito na sarjeta do esquecimento. Alguém coerente comentou, lá, que na época em que a obra se tornar domínio público, o neto de algum cineasta famoso hoje vai transformar em filme. Agora, o que seria mais interessante para um enredo: o conteúdo do blog ou aquilo que se cogitou sobre o misterioso blogueiro?

:: 04.08.2008 ::

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Cartaz

Até a primeira deslanchada do ambiente virtual (final da década de 90) o cartaz cumpria uma missão forte como veículo de comunicação. Não no Brasil. Aqui nunca houve essa cultura -- o cartaz nunca foi tratado como arte e sempre foi usado com economia e ineficiência. Agora... olha que beleza esse achado da Louise (de fora, óbvio). O "'good time' girls" ficou bom demais!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Robervaldo e o Passeio Público II

No começo de junho publicamos uma contribuição do nosso amigo Daniel Trein, com as proezas do Robervaldo, atendimento júnior (com idade de sênior) de uma agência de propaganda em que ele trabalhava (deixa a preguiça de lado e vai lá ver). Hoje vai a segunda aventura. Uma característica legal nessa narrativa é o fato de haver um conto dentro de um conto.
Só pra lembrar PASSEIO PÚBLICO é um misto de zoológico e parque no centro de Curitiba, inaugurado em 1886 (sim, no século XIX). É popular, sombrio e ponteado de árvores seculares, e uma marginália peculiar ronda a região.

Mais uma do nosso amigo Robervaldo e seus passeios pela região do Passeio. Estávamos em momento de inspiração publicitária, conversa vai, conversa vem, falando de mulher, óbvio. E não se sabe daonde surgiu o papo de travecos, boiolas e similares. Adivinha quem apareceu com uma história?
— Gente tenho uma experiência triste nesse assunto.
— Nossa, o Robervaldo ficou sério. Que foi que aconteceu?
— Sabe como é, eu era solteiro e fui dar minhas voltas lá pelo passeio público.
— Cara não tinha lugar melhor pra ir? Ou era só lá que você conseguia alguma distração?
— Lá era, e ainda é, um lugar legal pra pegar umas minas.
— Na próxima vez que você for me avisa pra eu dizer que vou não ir.
— Vocês querem ouvir a história ou não?
— Manda ver, Robervaldo, já estamos curiosos.
— Então, estava passeando por lá quando vi uma gata, linda, toda gostosa, sentada num banco. Quando ela me viu deu um sorriso discreto. Dei uma volta e passei por ela de novo, ela me olhou, deu mais um sorrisinho e se insinuou bem de leve.
— Tipo te chamou com o dedo pra perto dela? Deu uma piscada e uma cruzada de pernas? Mandou beijinho e deu aquela mexida do cabelo?
— Não, não, ela só me olhou direto nos olhos.
— Nossa! Mulher fatal. E daí o que você fez?
— Dei mais uma volta. [nota do blogueiro: já ouviram falar em footing?]
— Pô, Robervaldo, pára de enrolar. Você queria que ela te pegasse na mão para conversar?
— Tava fazendo charme.
— Continua aí!!!
— Na outra volta, ao passar por ela fiz um sinal tipo "posso falar com você", e ela no ato balançou a cabeça indicando o seu lado no banco. Imagina cara, uma gata, domingo, sozinha no Passeio... e me convida pra sentar!
— Ih, tem coelho nesta cartola.
— Pois é, fui em direção a ela, todo faceiro. Conversa vai, conversa vem, começamos a nos beijar freneticamente. Quando ela pegou nas minhas coxas a arrastei para um banco mais escondidinho. Comecei a passear minhas mãos por aquele corpo maravilhoso, peitos, coxas, o negocio começou a pegar fogo. Aí ela se atracou no meu dito cujo, sinal para eu encher a mão na perseguida. Só que, cara, o volume que tinha ali era maior que o volume na minha calça. Quando eu pulei para o lado assustado ela me disse com aquela voz de Pato Donald: "Ih, tolinho, pensei que você já tinha percebido".

terça-feira, 29 de julho de 2008

Minha Senhora

Passos se aproximam do meu cativeiro. Viro o rosto para não ver. Ela entra e solta as correntes que me prendem. Manda que eu saia na frente, pega a correia da minha coleira e começa a me puxar. Ordena que eu olhe para o chão e me leva ao Seu quarto, minha Casa de Torturas.

Ambiente iluminado apenas por uma vela, vejo-A sentar numa confortável poltrona com um consolo atado em seu ventre. Deito sobre um móvel vermelho de costas, pernas abertas e elevadas. Alguém coloca uma venda em meus olhos e me suspende. Resta apenas sentir o que está por vir. E o que veio foi a incrível mistura de ansiedade, dor e prazer, meus gritos e uivos abafados, e uma ereção que quase me leva ao gozo. Mas consigo me conter, um orgasmo sem o consentimento Dela seria imperdoável.

Sinto que vou desfalecer de tanta satisfação, aflito por saber que não vou lembrar do que está por vir.


:: 20.02.2004 :: foto do i162.photobucket.com, com tratamento nosso

domingo, 27 de julho de 2008

Tranca forte

- Vem cá.
- Não posso ainda.
- Me chupe então.
- Você está me escondendo alguma coisa? Está com cara de safado hoje.
Da cozinha vem o som ameaçador: ela continua o trabalho de afiar a coleção de facas.

:: 23.02.2006 ::

quinta-feira, 24 de julho de 2008

F.A.Q. do MCP

F.A.Q. vem de frequently asked questions, que significa perguntas mais frequentes. Trata-se de uma compilação das dúvidas mais comuns formuladas pelos clientes/leitores de um website numa tentativa, dos administradores, de reduzir o trabalho de respondê-las. Como o MCP tem suscitado dúvidas recorrentes, cometemos o nosso:


Importante
É sempre bom ressaltar às lindas leitoras e aos camaradas leitores que o MCP é um blog de CONTOS e não um diário ou confessionário, ou seja, o que aqui vai escrito é, a priori, ficção. COMBINADO?



O que é um conto?
Tecnicamente falando, o conto é a forma narrativa, em prosa, de menor extensão (no sentido estrito de tamanho), ainda que contenha os mesmos componentes do romance. No inglês, conto já recebe um nome mais direto: short storie (história curta).
Entre as principais características do conto estão a concisão, a precisão, a densidade, a unidade de efeito ou impressão total — da qual abusavam Poe (1809-1849) e Tchekhov (1860-1904). O conto precisa causar um efeito singular no leitor, muita excitação e emotividade.

O que é um miniconto perverso?
É um conto, só que menor. São histórias bem curtas escritas para mulheres inteligentes, pessoas alteradas e para conquistadores baratos e desastrados. Estão classificados assim nos marcadores dos posts.
Nesse mundo acelerado e cheio de informações em que vivemos — e baseados na experiência da propaganda, em que aprendemos a transmitir todo um conteúdo em 30 segundos ou nas poucas linhas de um impresso — sentimos a necessidade reduzir ainda mais, de enxugar ao máximo os escritos. Daí (e da influência do mestre Dalton Trevisan, e seus personagens esquisitos de uma Curitiba sombria) nasceram os minicontos.
O desafio, nos minicontos, é causar o efeito de um conto num espaço menor, ainda deixando parte da história e uma boa dose de reflexão a cargo do leitor.
Ah, sim, a parte dos "perversos" é por causa dos temas e do enfoque dado. Os acontecimentos medonhos narrados com naturalidade. Mas em perversão perdemos de longe para a mídia de massa.

Quem escreve os contos publicados no MCP?
Quem escreve os contos é este projeto de contista (e administrador do blog) chamado gustavão. Baseado em experiência de vida e muita imaginação. Tem casos em que pessoas contam as histórias pra gente, mas aí somos nós que escrevemos e colocamos nosso (rarefeito) talento em prática para transformá-las em MCP. Portanto, são nossos.
Quando o conto não é de nossa autoria, deixamos bem claro ao apresentar o autor, além de assinalar o marcador do post com contribuição.



Mais de uma pessoa escreve o blog? Por que você sempre se manifesta através da primeira pessoa do plural?
Fomos fortemente influenciados pelo Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto). Temos grande afeição por aquele jeito cínico de escrever, e uma parte evidente desse cinismo está na impessoalidade da primeira pessoa do plural. Além disso, temos uma tendência ao egocentrismo, e escrever assim nos comentários é uma forma de atenuar esse defeito de personalidade.
Pra completar, convenhamos que é demais pinchar toda culpa e vergonha desses assuntos indecentes apresentados nos contos num euzinho só. Concorda?

Em alguns contos você escreve como se fosse uma mulher. Você é mocinha ou viadinho?
Não somos mulher nem homoafetivo (não que tenhamos algo contra). Mas nosso grande exercício é tentar entender a mente, as emoções e as paixões complexas das mulheres. Por isso, em muitos casos vestimos essa pele para tentar expressar com maior fidelidade possível o comportamento e o espírito femininos.

Qual o tamanho exato ou ideal de um MCP?
Não tem um tamanho exato, mas a idéia é que sejam perfeitos para ler no computador, no meio de todas as informações que recebemos a cada minuto, entre um e-mail e outro. Ou seja, tem que ter o tamanho de uma tela ou no máximo um pouco mais.
Diferentemente do que parece, quanto menor o conto, mais difícil para o leitor, porque todo o conteúdo das entrelinhas tem que ser deduzido. Existem contos menores que os MCPs, que tomamos a liberdade de classificar como microcontos. São aqueles formados praticamente por um título e uma frase. Mas nestes casos, toda experiência depende praticamente da interpretação (e do esforço) do leitor.
Para quem quer um referencial de tamanho de fora do mundo cibernético, o MCP ideal é perfeito para ler no trono (ou seja, leva o tempo de uma cagada).

O Zé existe? É o escritor ou um alter-ego dele?
O Zé é uma entidade que revive as histórias de conquistas, festas, porres e experiências com entorpecentes experimentadas por nossos amigos, pelos amigos dos amigos e pelo próprio autor. O Zé é o espelho de toda uma geração de hedonistas botequeiros insensíveis e românticos ao mesmo tempo.

Esse blog é só para mulheres inteligentes, pessoas alteradas e/ou conquistadores baratos? [como está nos marcadores]
Negativo. Todo mundo está convidado para esta experiência de leitura, e mais, para compartilhar seus "causos" e impressões nos comentários. Pense no aprendizado que é, para uma mulher bem resolvida, saber dos truques e desventuras de um conquistador barato. E vice-versa. Quantos tropeços deixaríamos de dar.

Os minicontos perversos são piadinhas?
Não são piadinhas. Nosso foco não é o humor, mas o prazer de proporcionar uma boa leitura e de analisar o comportamento humano. Tanto que evitamos finais surpreendentes e sacadinhas. E nos casos em que pescamos alguma similaridade com anedotas, mandamos o conto para o lixão infinito do besteirol virtual.

Quem é o autor?
Gustavo  Martins é um contista pequeno. Escreveu e lançou dois livros: MiniContos Perversos & Outras Licenciosidades e MiniContos Perversos 2, paridos neste blog. Antes que você pergunte, não são contos curtos porque é um preguiçoso. Segundo os mini e microescritores, os textos curtos têm mais energia. Largado no mundo, o gustavão gosta de saborear a vida em colheradas grandes. E desse jeito de perceber as coisas vieram as histórias. Algumas recebeu de presente, outras vivenciou: sobre duas rodas, acompanhado do rock e do blues, da cerveja com os amigos e principalmente DELAS, razão de toda beleza e delicadeza que há neste mundão sem nexo.


Quais são as influências do autor?
Já citamos alguns autores, mas repetimos: Charles Bukowski, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca, Jack Kerouak, John Fante, Bill Waterson (do Calvin), os russos Tchekhov, Dostoiévski e Górki, João Ubaldo Ribeiro, Cristovão Tezza (queríamos ser o Trapo), Ernest Hemingway, Led Zeppelin, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Barão Vermelho (com ou sem Cazuza), Charles Bukowski (mais uma vez), entre outros.


Por que o Minicontos Perversos não acompanha nenhum blog? Babaquice?
O gustavão, autor do MiniContos Perversos, acompanha vários blogs. Principalmente aqueles que estão linkados ali no "Links Quase Perversos", mas há outros bem legais também. O facebook, twitter, o feed e os links resolvem a questão. Agora... como essa coisa de redes sociais se complica a cada dia, hein?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Garçonnière ISO 9001

Grande contribuição, impagável, do amigo Victor Hugo. É por essas e outras que o Zé é o herói dos "conquistadores baratos".

Depois de fazer umas contas o Zé percebeu que alugar um apê ficava mais econômico do que a grana que ele estava torrando em motel. É, os namoros estavam rendendo naquela fase.

Achou um apartamentinho com localização ótima e paredes cobertas de espelho (promessa de prazeres metafísicos). Só que um detalhe intrigou nosso amigo: as gavetas do armário eram todas etiquetadas:
- camisetas
- camisolas
- calcinhas dia-a-dia
- calcinhas de sair (a preferida do Zé)

Alguns dias depois, conversando com o porteiro, o Zé descobriu que antes moravam ali duas moças lindas vindas do interior para estudar. Pouco saíam de casa, mas recebiam muitas visitas. "Nossa Zé", disse o porteiro, "aquelas sim eram para casar!"

Esclarecido o mistério, o Zé pensou com seus botões: "E depois usam a palavra zona para designar bagunça. Esta estava mais para empresa certificada em ISO 9001 de tão organizadinha".

terça-feira, 22 de julho de 2008

Pedacinhos de barbante que não servem pra nada

- Essa história de ter que ficar guardando as coisas, organizar tudo... Isso não é comigo.
- Pois é, faz um ano que me mudei, e tem um quarto que até hoje está bagunçado. E está escrito não sei aonde que é MINHA obrigação arrumar... É isso que ela me diz.
- Minha avó era o contrário, adorava organização. Chegou ao cúmulo de manter uma caixinha com uma etiqueta que dizia PEDAÇOS DE BARBANTE - NÃO SERVEM PARA NADA.
- Então, você quer mais algumas caixas para guardar essa tranqueirada toda que você tem aí?
- Foi por causa desse tipo de arranjo que eu me separei. Hoje, com minha namorada, a gente renova sempre nosso contrato de boa convivência. Assim, até esqueço do tempo de casado.
- Tudo bem, e as coisas boas do casamento?
- Às vezes eu lembro. Daí bebo até esquecer.

:: 18.03.2004 :: história contada por um amigo e mentor, mas é melhor não dizer o nome aqui

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O errante e a burguesa

O errante de voz e olhos tristes não se conteve e se aproximou da burguesa com palavras de louvor à vida dela em eterna primavera, à proteção de fortes paredes, ao prazer proporcionado pela porcelana mais fina, "Enquanto o desgraçado aqui, boêmio de meia idade, ensopado pelas chuvas, vago com meu capote roto que mal os ombros me cobre. No instante em que o inverno sopra fora a alma dos comuns, a princesa adormece nua numa estufa dourada."

Ela taxou de zombaria o apelo do errante, "É prisão o conforto em que vivo. Depois da chuva fria o sol brilhará em seu caminho de liberdade. Enquanto eu, nas salas brilhantes, padeço até de experiência de vida." Ao som de uma valsa vertiginosa, a burguesa se percebeu amarrada ao chão: "Você é livre, eu sou escrava!"

:: 07.07.2003 :: baseado no poema O pássaro e a flor, de Castro Alves

sexta-feira, 18 de julho de 2008

B.O.

O projeto era namorar umas quatro ao mesmo tempo. Ele bem que tentava. Tinha que se organizar com os horários e dias da semana para os encontros. E como tudo que é bom na vida de um homem solteiro um dia acaba, ele conheceu a Tati, safada, manhosa e cheia de querer dominar. E aos poucos ela foi conseguindo, com jeitinho e beijos excessivos, fazendo papel de menina recatada na sala enquanto na cama já conhecia de A a Z.

Mas ele não desistiu, quis ser esperto e manter, então, as cinco. Começou a pôr em prática um recurso ilícito. Dava uma bebidinha à namorada que estava na casa dele, ela adormecia, depois ele saía e se encontrava com outra, voltando umas horas depois como se nada tivesse acontecido. Acordava a que tinha ficado dormindo, dando muito carinho... Assim seguiam suas noites, muito corre-corre e algumas doses de diazepam.

Só que a Tati já tinha tomado boleta e percebeu o truque. Uma noite ela trocou a bebidinha e quem dormiu foi ele. Ela levou o que pôde, dinheiro, cartôes e talão de cheques (que jogou no lixo), roupas, bebidas, som, DVD, notebook, colocou tudo no carro dele e foi embora. Claro, antes de sair deu um último beijinho.

:: 29.07.2003 ::

sábado, 12 de julho de 2008

O entregador de pizza

A vida é cheia de concidências. A Silvana conheceu o Silvano no vestibular por causa do ensalamento. Os nomes eram parecidos, papo vai papo vem, se apaixonaram e começaram a namorar. O Silvano era motoboy e queria melhorar de vida. (leia mais)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O cachorro que chupava manga

Tinha um tempo que, como todo mundo, o Zé era inocente. Ele e dois amigos do tempo do Zacarias (primário) eram uns tremendos "bocós", como se dizia na época. A gurizada mais velha, a troco de ensinar "coisas do mundo" para os mais novos, acabavam aprontando. E geralmente ensinavam tudo errado e cheio de preconceitos. Fique bem claro que, naquele caso, o "aprontar" não contemplava viadagens e afins, mas usar o inexperiente, por exemplo, de "vinagrão". Antes que perguntem, vinagrão é cara que tempera para os outros comerem.

O fato é que tinha uma aluna da quarta série que além de linda tinha reprovado uns anos, ou seja, era quase mulher formada começando a se insinuar. É óbvio que isso endoidecia todo mundo. E como ela não dava bola pra ninguém, os mais velhos chamaram o Zezinho e os amigos e contaram que a musa passava leite condensado na xoxota para o cachorro lamber. Literalmente.

Nem precisou estimular. Os bocozinhos ficaram impressionados e multiplicaram o boato no pátio da escola de um jeito que nem essas correntes de e-mail fazem. E óbvio que a bomba chegou nos ouvidos da beldade. Com toda aquela gostosura precoce ela chegou com jeitinho nos fofoqueiros (todo mundo que estava perto vazou) e perguntou o que eles estariam divulgando. E não é que na inocência eles escancararam a historinha para ela? "Contaram pra gente que você passa (...) É verdade? De que raça é seu cachorro?"

Ela não negou nem confirmou, ouviu tudo silenciosa, deu um sorriso maroto pro Zé e os dois camaradinhas, e a partir dali virou amiga e "consultora" dos três, de um jeito carinhoso, mas que na visão da canalhada que via de fora, "tinha coisa". Uma vingancinha discreta e cheia de dignidade. O Zé e os amiguinhos se deliciaram, mas não precisa dizer que nunca rolou nada com a musa, porque nem na fase da punheta eles estavam ainda.

:: 10.07.2007 ::

terça-feira, 8 de julho de 2008

Deférias

Para não dizer que abandonamos os leitores de forma cafajéstica, aproveitamos a ausência para uma sessão "melhores momentos". Selecionamos um continho por mês desses que mais impacto nos causaram ao escrever. Comentem aqui.

Janeiro
Organizadinho

Fevereiro
Tântrica

Março
Ela tocou o puteiro

Abril
Eu amo Garen Muttin

Maio
Estratégia de fim de festa

Junho
Meu primeiro surto patriótico

Deférias - Enquanto isso uma dica aos que aguardam a grande chance de publicar um livro

Pessoal:

Enquanto estamos de férias (são curtas como os MCPs, podem ficar tranqüilos), e deixamos o blog meio abandonado, fica uma tremenda dica pros amigos escritores. Cliquem no link que é auto-explicativo.

http://www.editorabarauna.com.br/loja/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=16

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Brasileira faz sexo cada vez mais cedo

Pra fechar a semana, uma contribuição/comentário impagável d'A Bruxa. Está hoje como manchetinha na Folha: "Brasileira faz sexo cada vez mais cedo, diz estudo".

Quer dizer que a mulherada está acordando às cinco da madruga pra atiçar os maridões e namorados?

Cara de sorte é o Ari

Mais uma contribuição da fotógrafa Lu Campos (quase pseudônimo). Desta vez com uma foto de autoria dela. Sensaciional! Lu, só tivemos que mudar o nome do rapaz, por eventuais problemas com um amigo leitor (coincidência não explicável).

O Ari namora a Mariazinha, estão há sete anos juntos e eu fico esperando o aniversário de oito anos de namoro só para ver se isso é sério mesmo, ou é macumba do Ari. Porque olha, não é possível!

Mariazinha, a namorada, de “zinha” não tem nada. Sabe mulherão? Bunda grande, coxa grossa, seio farto, boca carnuda e cabelo na cintura, coisa de louco! Ela tem tudo que mulher vive querendo tirar e tudo que homem adora meter a mão... e outras partes também.

O negócio não ia ser tão discrepante se o meu amigo Ari não fosse, com o perdão da expressão, “um espirro de pica”, ou seja , baixinho, feio e magro de doer! Pra piorar, ele ainda tem um tipão do interior. Nada a ver com aquela deusa. Como diz o ditado, é muita areia pro caminhãozinho do Ari! E ele sabe disso, desfila orgulhoso com aquele mulherão de dar inveja, chega a estufar o peito, o malandro!

O engraçado eu vou contar, foi o fato que aconteceu recfentemente. Tô voltando do hospital, fui visitar o Ari. Dia 12 de junho foi dia dos namorados e a gata preparou uma noite inesquecível, e põe inesquecível nisso! Comprou lingerie, gelzinho, além de inúmeros acessórios que só de lembrar deixavam meu amigo emocionado. Segundo o Ari, a Mariazinha “tava pro crime”.

O Ari que não é bobo nem nada, levou a moça para jantar e depois direto pro motel, aproveitar a noitada. Diz que começou com um strip-tease caprichado, depois que o bicho já tava tinindo rolou chantily nos peitos e em retribuição um tal de gelzinho nele, que quando ela metia a boca pegava fogo. O Ari estava nas nuvens, loucurada rolando e foi boca lá, perna aqui, 69, de quatro, de frente, de ladinho, até que a moça resolveu sentar no colo... putz, aí deu cagada!

Lembrando... o Ari baixinho, magrinho, fraquinho e a Mariazinha, uma mulher melancia só que mais alta, aquela loucura. O resultado: o Ari quebrou a bacia! Tá lá no hospital, 40 dias estaleirado, não pode mexer nada da cintura pra baixo, até pra ir ao banheiro, tomar banho, tudo, ela vai ter que ajudar. Ah, detalhe, 40 dias mijando na comadre é de ferrar!!!

Sabe o que é pior? A gozada final quem está dando somos nós... Ê Ari, cara de sorte!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Motel nem sempre ajuda 2

O Zé trabalhava num setor próximo da Janete. Um dia se encontraram num churrasco de confraternização da empresa (leia-se bebedeira), depois foram a um serv-car à noitinha (lanche depois do churras?) e a coisa rolou. Mas ela era moça direita e ficou com ressaca moral.

Na outra semana o Zé a chamou para sair, para ficarem "mais à vontade num lugar mais discreto". Sim, ele estava namorando e não podia ser visto acompanhado. Não que tenha contado esse detalhe para a Janete.

Ela perguntou que lugar discreto seria esse, disse para ele tirar o cavalinho da chuva com motel que ela não ia transar de novo assim do nada (direito de se valorizar, oras!). O Zé disse que não tinha segundas intenções, que motel era um lugar tranqüilo, bom para conversarem e tomarem umas biritinhas como bons amigos sem serem incomodados. Ela foi enfática: "não vai rolar NADA!" O Zé manteve sua posição, porque é prerrogativa do homem acreditar na fraqueza da carne.

Foram direto do trabalho para o motel e adivinha... ela não deu, não deixou nem ele dar uns amassos direito. Restou ao Zé tomar uns três banhos, fazer bagunça com a água e, pra piorar, a conta ficou alta porque sem nada o que fazer nem muito que falar, eles beberam bastante.

Para coroar a noite, na hora de ir embora o carro não pegou e o Zé teve que pedir ajuda para as arrumadeiras empurrarem até pegar no tranco.

:: 07.04.2008 ::

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Motel nem sempre ajuda

Sempre achei motel o maior anticlímax, ainda mais na primeira vez que um casal sai. No momento de passar pelo portão é como se o luminoso de neon se transformasse num AHAN, QUER DIZER QUE VOCÊS VÃO TREPAR! Acaba com todo mise-en-scène do ritualzinho tenso do que pode ou não acontecer.

Mas tem dia sem opção, como quando eu e uma namoradinha que morava em outro estado nos encontramos na praia, numa cidadezinha sem infraestrutura. Fazia tempo que a gente não se via, queríamos matar saudade e curtir carinho. Cometemos o erro estratégico de não ir logo cedo para algum hotel ou pousada, ficamos nos enrolando no boteco e quando resolvemos você-sabe-o-quê passava da meia-noite, até as portarias estavam fechadas.

O jeito foi ir para um motel meio fuleiro. Entramos ressabiados pelo jeito do lugar, cama redonda revestida com carpete, tv só com canal pornô, enfim, íamos bem devagarinho para criar o clima quando ela olhou para a cabeceira e disse com calma "ih, tem uma barata ali espiando a gente". Custei acreditar, afastei o travesseiro e vi a bicha paradinha mimetizada no carpete bordô. Sem ação, sentei e pensei muito no que fazer. Liguei para a recepção e o atendente sugeriu trocar de quarto "vai ali no cinco, a porta está aberta". Entramos no carro fomos direto para a saída:
"Olha, amigo, não adianta mudar de quarto. Não tem mais clima."
"É, mas vocês ficaram lá quase meia hora. Usaram alguma coisa? Vou ter que cobrar."
"Nem tiramos a roupa. E pode ir lá olhar que a barata está na cabeceira da cama."

O cara foi na maior má vontade, ouvimos barulho de chinelada, ele voltou sem dizer palavra e abriu o portão da saída. Imaginei o próximo casal chegando dali a pouco e o porteiro dizendo: "Pode ir no quatro, a porta está aberta."

:: 07.04.2008 ::